Castabala — a cidade esquecida da Cilícia e o santuário da deusa Perasia
Castabala (Castabala, Kastabala) — antiga cidade situada na província de Osmaniye, no sudeste da Turquia, no sopé de uma cordilheira calcária e na planície aluvial do rio Ceyhan. Outrora, Castabala foi um dos principais centros espirituais da Cilícia helenística, conhecida pelo seu culto extático à deusa Artemis Perasia. Hoje, é um local arqueológico pouco visitado, mas surpreendentemente pitoresco, com uma colunata de quase duas dezenas de colunas romanas preservadas, ruínas de igrejas bizantinas e uma fortaleza que se ergue sobre a planície — uma paragem obrigatória para todos aqueles que exploram a antiga Cilícia longe das costas movimentadas.
História e origem
Os vestígios mais antigos de povoamento no local de Castabala remontam aos períodos luvio e neo-hetita — como atestam as inscrições hieroglíficas e os relevos em basalto dos séculos IX–VIII a.C., encontrados nas imediações. O nome grego «Hierápolis-Castabala» (Hierapolis Castabala — «cidade sagrada de Castabala») indica o estatuto de importante centro de culto muito antes da chegada dos romanos. O culto principal era a veneração da deusa Perasia, uma forma local de Artemis ou Cibele; as sacerdotisas desta deusa, segundo Estrabão, caminhavam descalças sobre carvões em brasa, sem sofrer queimaduras.
No século IV a.C., Castabala entrou na órbita do império selêucida e, na época helenística, tornou-se a capital de um pequeno reino que cunhava as suas próprias moedas. A partir de 64 a.C., a cidade foi incorporada na província romana da Cilícia e viveu um período de apogeu: surgiram ruas pavimentadas, termas, templos e pórticos com colunas. Na época bizantina, Castabala transformou-se numa sé episcopal; aqui conservam-se as ruínas de duas basílicas paleocristãs com ricas esculturas em pedra.
O apogeu da cidade foi interrompido pelo conflito árabe-bizantino dos séculos VII–VIII, após o qual Castabala foi gradualmente abandonada. Na Idade Média, foi construída na rocha acima da cidade uma fortificação cilício-arménia — um exemplo típico da arquitetura defensiva do chamado «Pequeno Reino Arménio». No período após o século XIV, a cidade transformou-se definitivamente em ruínas, e as suas pedras foram utilizadas pela população local para a construção de casas e edifícios agrícolas.
Pesquisas arqueológicas
As escavações sistemáticas em Kastaba começaram na década de 1960, sob a direção de Mahmut Gökhan Bey, e continuaram com interrupções até à década de 2000. Cientistas britânicos, alemães e turcos mapearam em conjunto a rua com colunas, limparam as basílicas e traçaram um plano da fortaleza superior. Os artefactos encontrados — estatuetas de terracota, moedas, fragmentos de mosaicos — estão expostos no Museu Arqueológico de Adana (Adana Arkeoloji Müzesi). As inscrições bilingues em grego e aramaico, que refletem o caráter fronteiriço da cultura de Castabala, revistem-se de especial importância.
Na década de 2010, o Ministério da Cultura e do Turismo da Turquia incluiu Castabala na lista de candidatos ao estatuto de «Parque Arqueológico de Importância Nacional», o que garantiu financiamento básico para a conservação das colunas e do caminho de acesso à fortaleza. No entanto, o turismo continua a ser modesto, o que faz de Castabala um dos poucos locais onde é possível passear pela cidade romana quase em solidão.
Arquitetura e o que ver
O Parque Arqueológico de Castabala está aberto 24 horas por dia e é, na prática, gratuito — graças a isso, reina aqui uma atmosfera de «cidade perdida», tão rara na Turquia, um destino turístico de massa. As ruínas estendem-se ao longo de uma estrada secundária empoeirada, e a visita a todos os locais demora cerca de duas horas.
Rua da colunata
A parte mais fotogénica de Castabala é a rua principal, com uma colunata composta por 17 colunas coríntias que sobreviveram. Esta rua, com cerca de 300 metros de comprimento, foi construída nos séculos II–III d.C. e servia de entrada principal para a cidade. Ao longo dela, encontravam-se lojas e edifícios públicos. Nos capitéis de pedra, são visíveis as características folhas de acanto e vestígios de reutilização na época bizantina. As colunas são feitas de calcário local, que escureceu com o tempo e adquiriu um tom quente de mel; ao contrário das colunatas de mármore das grandes cidades do Egeu, a colunata de Kastabale exala um encanto provinciano e autenticidade. Em algumas colunas, conservam-se os suportes para as estátuas de bronze dos imperadores romanos e dos benfeitores locais da cidade.
Fortaleza rochosa
Num penhasco ígneo de calcário com cerca de 100 metros de altura, conserva-se uma fortaleza, reconstruída pelos arménios da Cilícia nos séculos XII–XIII com base em fortificações romano-bizantinas anteriores. Uma trilha conduz até ela a partir da encosta sul, numa subida que demora entre 25 e 35 minutos. Do topo, abre-se uma vista panorâmica sobre a planície de Çukurova e as montanhas Amanus (Amanus, Nur Dağları). No interior da fortaleza, podem ver-se cisternas para a recolha de água da chuva, vestígios de uma capela com fragmentos de afrescos, uma arcada de um corredor coberto e fragmentos de torres da fortaleza. As paredes foram construídas com a técnica de alvenaria característica da arquitetura arménia, denominada «rusticated bossage» — com uma textura exterior rugosa e pedras bem encaixadas.
Basílicas paleocristãs
Na cidade baixa, conservam-se as ruínas de duas igrejas bizantinas dos séculos V–VI. A basílica norte tinha uma planta de três naves com abside, pisos em mosaico (fragmentos preservados in situ) e nártex. Os arqueólogos registam aqui inscrições que mencionam os bispos de Castabala, o que confirma o estatuto da cidade como centro cristão.
Teatro e termas romanas
O teatro de Castabala, de dimensões modestas, tinha capacidade para cerca de 2000 espectadores e foi construído numa encosta natural. Hoje são visíveis várias filas de assentos e um fragmento da cena. Nas proximidades encontram-se as ruínas ainda por escavar das termas romanas, com um sistema de hipocausto e banheiras de mármore; este complexo aguarda ainda uma investigação completa.
Necrópole
Fora das muralhas da cidade estende-se uma necrópole com sarcófagos e túmulos de pedra das épocas romana e bizantina. Parte dos sarcófagos está decorada com relevos de guirlandas, crânios de touro e epitáfios em grego. Algumas tumbas representam as típicas «casas dos mortos» da região — construções de pedra com telhado de duas águas, imitando edifícios habitacionais. Entre as inscrições funerárias encontram-se referências a professores de retórica, magistrados municipais e presbíteros cristãos — este recorte da epigrafia dá uma visão valiosa da estrutura social de uma cidade provincial da Antiguidade tardia.
Ambiente natural
O parque arqueológico situa-se no pitoresco vale do rio Ceyhan, rodeado por colinas suaves com pomares de romã, oliveiras e amoreiras. Na primavera, os campos em redor das ruínas cobrem-se de papoilas e de tomilho perfumado. Nos bosques de pinheiros nidificam espécies raras de corujas, e nas rochas em torno da fortaleza encontram-se andorinhas-das-rochas e águias-das-montanhas. Por isso, a visita a Castabala é interessante também para os amantes da natureza — aqui é possível combinar a arqueologia com a fotografia e um piquenique à sombra de velhos choupos.
Factos interessantes e lendas
- Segundo o testemunho de Estrabão (Geografia, XII.2.7), as sacerdotisas de Artemis-Perasia em Castabala caminhavam descalças sobre carvão em brasa sem sofrer queimaduras — este ritual tornou-se o protótipo de muitos cultos extáticos do Mediterrâneo oriental.
- As moedas helenísticas de Castabala representavam a deusa com uma coroa em forma de torre (símbolo da proteção da cidade) e uma rara combinação de inscrições gregas e aramaicas — testemunho do sincretismo cultural da região.
- Na época bizantina, Castabala tornou-se local de exílio de vários clérigos caídos em desgraça, incluindo o bispo nestoriano mencionado nas fontes.
- A fortaleza arménia sobre a cidade é mencionada nas crónicas de Levão II (Leo II) como um dos postos avançados na fronteira oriental do reino da Cilícia.
- Durante séculos, os habitantes locais chamaram às ruínas «Bodrum Kale» — «fortaleza subterrânea», acreditando que sob a colunata se escondiam os tesouros dos selêucidas; esta lenda atraiu caçadores de tesouros até ao século XX.
- Na década de 1990, durante a limpeza da rua com colunatas, os arqueólogos descobriram uma placa reutilizada com uma inscrição bilíngue em fenício e luvio, o que recuou a história do povoado pelo menos até ao século VIII a.C.
- Num dos túmulos bizantinos de Castabala foi encontrado um anel de bronze com um cristograma e uma inscrição aramaica — um testemunho raro da identidade multicultural dos habitantes da cidade do século VI.
- No território da cidade baixa, os arqueólogos registam vestígios de utilização agrícola medieval — lagares de azeite e mós de pedra, encaixadas em edifícios antigos.
- As lendas locais associam o nome Bahçe («jardim») aos «jardins da Pérsia» — segundo a tradição, os jardins circundantes foram plantados por sacerdotisas para as necessidades do templo e alimentaram gerações inteiras de peregrinos.
Como chegar
O Parque Arqueológico de Kastabalı está localizado a cerca de 12 quilómetros a norte da cidade de Osmaniye, junto à aldeia de Bahçe-Kesmeburun. A forma mais conveniente é de carro: a partir de Adana, siga pela autoestrada O-52/D400 para leste durante cerca de 90 quilómetros (1 hora e 15 minutos), depois vire para norte pela estrada local; a partir de Gaziantep, a viagem demora cerca de 2 horas. As placas indicando «Hierapolis-Kastabala Antik Kenti» aparecem cerca de 5 km antes do local.
Sem carro, pode-se chegar de autocarro interurbano até à estação rodoviária de Osmaniye e, de lá, de táxi (cerca de 20–25 minutos) ou de miniautocarro local a partir do bairro de Bahçe. Não há transportes públicos diretamente para as ruínas, por isso é mais conveniente combinar antecipadamente com o motorista a hora da viagem de regresso. O aeroporto mais próximo é o de Adana (Adana Şakirpaşa), a uma hora de carro; também é possível voar para Hatay (Hatay Havalimanı) e chegar a Kastabala em uma hora e meia, passando pelo vale da cordilheira de Aman. Para os amantes de viagens tranquilas, o comboio noturno de Istambul para Adana, com transbordo para autocarros locais, é uma boa opção.
Dicas para o viajante
A melhor altura para visitar Kastabala é entre março e maio e entre outubro e novembro, quando a planície verdejante de Çukurova contrasta com o calcário cinzento das ruínas e a temperatura é agradável para a subida até à fortaleza. O verão aqui é quente e seco, a temperatura ultrapassa frequentemente os 35 °C; sem sombra nem infraestruturas, a estadia torna-se difícil. No inverno, são possíveis chuvas curtas, mas intensas, que danificam as estradas rurais.
Leve consigo água (mínimo 1,5 litros por pessoa), calçado confortável com sola rígida — o terreno é pedregoso e irregular — e também um chapéu. No local não há casas de banho, cafés nem lojas de souvenirs, por isso é melhor planear o almoço em Osmaniye. É útil descarregar um mapa offline do parque: quase não há sinalização no interior e muitos locais têm de ser procurados por conta própria.
É uma boa ideia combinar a visita a Kastabala com outros monumentos menos conhecidos da região: o Castelo de Toprakkale, 25 quilómetros a oeste, a fortaleza arménia de Yılankale e o parque arqueológico de Karatepe-Aslantaş, com os seus relevos neohittitas. Para os amantes de caminhadas, a subida até à fortaleza rochosa é interessante — demora cerca de 30 minutos e recompensa com uma vista panorâmica magnífica.
Se planeia um estudo aprofundado da antiga Cilícia, reserve dois ou três dias para a região: o primeiro dia — Castabala e Karatepe, o segundo — o Museu Arqueológico de Adana e Mopsuestia, o terceiro — Issos (campo de batalha de Alexandre, o Grande) e os relevos hititas em Caferhöyük. Ao longo do caminho, não deixe de provar as especialidades locais — kebab de Adana, kömbe e sumo de romã doce. Não há hotéis junto às ruínas; é melhor pernoitar em Osmaniye ou Adana, onde a escolha de hotéis é mais vasta e os preços são moderados.
Os fotógrafos são atraídos por uma «hora dourada» especial em Kastabala: de manhã cedo, as colunas são banhadas por uma luz âmbar quente e, ao fim da tarde, a rocha com a fortaleza projeta uma longa sombra sobre o vale. Para filmagens com drones é necessária uma autorização oficial do Ministério da Cultura — sem ela, a utilização de drones em território arqueológico é proibida. Se estiver interessado nas páginas esquecidas da história da Ásia Menor, Castabala, com a sua colunata e fortaleza, é um dos locais mais evocativos da Turquia Oriental.