Side: uma cidade antiga à beira-mar com o templo de Apolo
Side é uma surpreendente cidade antiga situada numa pequena península do Mediterrâneo, onde as ruínas antigas coexistem literalmente com restaurantes e lojas modernas. Esta reserva arqueológica na província de Antália combina algo que raramente se encontra na Turquia: um passeio pelas ruas romanas, um mergulho nas praias de areia branca e o pôr-do-sol sobre o templo de Apolo — uma das vistas mais fotografadas da Pâmfila. A antiga Side atrai viajantes durante todo o ano e faz parte, merecidamente, da lista de locais de visita obrigatória da Riviera turca.
Ao contrário de muitas outras ruínas, onde é necessário comprar um bilhete e seguir um percurso museológico, a cidade antiga de Side é aberta e gratuita: basta passear por ela como se fosse um bairro normal. Só são necessários bilhetes para aceder ao teatro antigo e ao museu local.
História e origem
O nome da cidade, de acordo com uma das hipóteses, traduz-se da antiga língua da Anatólia como «granada» — fruto que ainda hoje simboliza Side. A cidade foi fundada por colonos gregos de Cima, na Eólida, por volta do século VII a.C., mas, após algumas gerações, os novos habitantes esqueceram o grego e passaram a falar o dialeto local de Side — uma das línguas enigmáticas da antiga Anatólia. É precisamente este momento de assimilação linguística que ainda hoje suscita controvérsias entre os investigadores: como é que os colonos gregos perderam a sua própria língua em favor do dialecto local? Alguns sugerem casamentos mistos, outros — uma integração ativa na rede comercial regional.
No século IV a.C., Side rendeu-se sem resistência a Alexandre, o Grande. Após a morte do comandante, a cidade passou para o controlo dos Ptolomeus, depois dos Selêucidas, e em 190 a.C. ocorreu junto às suas margens uma batalha naval, na qual a frota de Rodes, sob o comando de Evdamo, derrotou as forças selêucidas lideradas pelo lendário cartaginês Aníbal Barca.
Esta batalha teve uma enorme importância para todo o Mediterrâneo — consolidou o controlo de Roma sobre as rotas marítimas orientais e, na prática, pôs fim à carreira de Aníbal como comandante naval. Side acabou por ser testemunha fortuita de um dos momentos decisivos da história antiga.
Nos séculos II–III d.C., ao tornar-se parte do Império Romano, Side viveu a sua época dourada. A cidade enriqueceu com o comércio de azeite, vinho e — infelizmente — pessoas: Side era um dos maiores mercados de escravos do Mediterrâneo oriental. No seu auge, a população ultrapassava os 60 mil habitantes. Nos séculos IV e V, com a cristianização, a cidade tornou-se a residência do metropolita. As incursões árabes do século VII, os terramotos e o gradual assoreamento da baía levaram ao seu declínio, e no século X Side estava praticamente abandonada. Só recuperou a vida no século XIX, quando para cá se mudaram turcos muçulmanos de Creta, que fugiram da ilha após a troca de populações greco-turca. São precisamente os seus descendentes que constituem a população atual da antiga cidade, e é graças a eles que Side não parece um museu estéril — é uma vila viva com pescadores, artesãos e cafés, onde, na mesa ao lado, podem estar sentados idosos a falar uma mistura de turco e grego cretense. Esta rara combinação de história e vida contemporânea torna Side única entre os locais de interesse antigos da Turquia.
Arquitetura e o que ver
A antiga Side está situada numa península minúscula com cerca de 800 metros de comprimento e cerca de 350 metros de largura. Em 2 a 3 horas é possível visitar todos os monumentos principais. A singularidade da cidade reside no facto de as ruínas antigas não estarem isoladas numa zona separada com bilhetes — elas estão literalmente entrelaçadas com a construção moderna. Pode entrar numa loja cujas janelas são colunas romanas ou sentar-se num café construído em torno de um fragmento de um aqueduto. É precisamente esta «arqueologia viva» que distingue Side das outras cidades antigas da Turquia.
Templo de Apolo
O principal cartão de visita de Side é o Templo de Apolo, do século II d.C. As suas cinco colunas coríntias de mármore branco, restauradas na década de 1980, erguem-se mesmo à beira-mar. O templo tem um aspeto particularmente impressionante ao pôr-do-sol, quando a pedra se tinge de tons rosa-dourados. Perto ficava o templo de Atena, do qual se conservam as fundações. A entrada é gratuita e o acesso é 24 horas por dia. Na Antiguidade, estes dois templos, situados lado a lado no recinto sagrado (temenos) junto ao mar, formavam um conjunto solene que os marinheiros avistavam logo ao aproximarem-se do porto — como símbolo da proteção e prosperidade da cidade. Hoje, é precisamente esta vista que se tornou uma das imagens mais reconhecíveis do Mediterrâneo turco.
Teatro antigo
O teatro de Side — um dos maiores da Ásia Menor, com capacidade para 15 a 17 mil espectadores. Ao contrário de Aspendos, aqui a cavea não se apoiava numa encosta, mas em poderosas subestruturas em arco, devido ao relevo plano. No período romano, o teatro era também utilizado para combates de gladiadores. Na Antiguidade tardia, foi transformado numa basílica cristã ao ar livre.
Ágora e mercado de escravos
Em frente ao teatro estendia-se a ágora — a praça comercial central com o templo circular de Tyche (Fortuna). Foi precisamente aqui, segundo os arqueólogos, que se realizava o tristemente famoso mercado de escravos. Perto dali encontram-se as casas de banho públicas com assentos de mármore preservados, um dos melhores exemplos da arquitetura doméstica romana.
Muralhas e torres da cidade
Side estava rodeada por uma poderosa muralha com oito torres, construída no século III d.C., quando a cidade começou a ser ameaçada por incursões marítimas dos godos. Fragmentos das muralhas conservam-se ao longo do perímetro da península, e no lado oriental é possível ver uma torre quadrada bem preservada com seteiras. Das muralhas abre-se uma vista magnífica sobre o mar e toda a cidade velha, e à noite são iluminadas de forma espetacular.
Portões da cidade e rua com colunatas
A entrada principal da cidade antiga passa por um portão municipal de dois andares do século II, atrás do qual começa a famosa rua com colunas. Em ambos os lados havia lojas e pórticos, e no centro — um aqueduto que trazia água de nascentes a 30 quilómetros da cidade.
Basílica bizantina e museu
Atrás das termas (época bizantina) encontra-se o museu arqueológico de Side — um dos melhores da Turquia. Este museu possui uma excelente coleção de esculturas romanas, sarcófagos e mosaicos, incluindo as famosas «Três Graças» e as esculturas de Hermes e da Níquea. O museu está situado no edifício das antigas termas romanas, o que torna a visita ainda mais evocativa.
Aqueduto e fonte monumental
À entrada da cidade velha, junto ao portão da cidade, encontram-se as imponentes ruínas de uma fonte monumental do século II d.C. A água era fornecida através de um aqueduto com cerca de 30 quilómetros de comprimento, que tinha início nas montanhas de Távrus. A partir dos fragmentos preservados, é possível reconstruir uma estrutura de três andares com nichos para estátuas e golfinhos de pedra que lançavam água. Era aqui que se iniciava a entrada solene na antiga Side.
Necrópole Oriental
Fora das muralhas da cidade antiga, ao longo da estrada que segue para leste, preserva-se uma necrópole romana com dezenas de sarcófagos e mausoléus familiares. Muitos deles estão decorados com relevos com temas mitológicos — desde Dionísio até às Amazonas. Esta é uma parte relativamente pouco visitada de Side, que a maioria dos turistas ignora, mas que dá uma visão completamente diferente das dimensões e da riqueza da cidade antiga.
Factos e lendas interessantes
- Nas moedas de Side era frequentemente representada a romã — um dos mais antigos símbolos urbanos do Mediterrâneo.
- Na cidade foi descoberto um alfabeto próprio e único («sidético»), apenas parcialmente decifrado — trata-se de um exemplo raro da escrita antiga da Anatólia.
- Segundo a lenda, Aníbal suicidou-se em Side, não querendo render-se aos romanos, mas sabe-se com certeza apenas que ele esteve aqui antes da sua última fuga para a Biténia.
- À noite, a rua com colunas é iluminada por holofotes, o que cria uma sensação de cenário teatral.
- À noite, em torno do templo de Apolo, reúnem-se frequentemente músicos de rua, o que transforma o passeio num concerto espontâneo.
- No século III d.C., Side foi devastada pelos godos, que saquearam templos e casas. A cidade nunca conseguiu recuperar-se totalmente após esta invasão, embora no período bizantino ainda mantivesse o estatuto de diocese.
- Num dos mosaicos do museu de Side está representado o filósofo Anacharsis — um escita a quem os antigos gregos atribuíam uma sabedoria comparável à dos Sete Sábios. Este é um exemplo raro de um herói «bárbaro» na arte romana.
Como chegar
Side fica a 75 km a leste do centro de Antália, na região de Manavgat. O aeroporto internacional mais próximo é o de Antália (AYT), de onde a viagem de táxi demora cerca de 1 hora.
De carro: pela autoestrada D400 em direção a Manavgat/Alanya, depois virar para Side. O estacionamento à entrada da cidade velha é pago. Dentro da península, a circulação de automóveis é limitada.
De autocarro: da estação rodoviária de Antália (otogar) partem autocarros para Manavgat a cada 30 minutos, seguindo-se um dolmuş até Side (cerca de 10 minutos). A duração total da viagem é de aproximadamente 1,5 a 2 horas.
A partir dos resorts costeiros de Belek, Kumluji, Side e Alanya partem autocarros turísticos, frequentemente com visitas combinadas a Aspendos e à cascata de Manavgat.
Dicas para o viajante
Side é única por combinar arqueologia e férias na praia. De manhã, pode passear pelas ruínas, à tarde dar um mergulho na baía da Praia Oriental e, ao fim da tarde, regressar ao templo de Apolo para ver o pôr-do-sol. Leve consigo o fato de banho, mesmo que inicialmente tenha planeado apenas uma visita guiada.
As melhores épocas são abril-junho e setembro-outubro. No verão faz muito calor e a maior parte das pedras antigas não tem sombra. No inverno, a cidade também é bonita, mas muitas lojas e restaurantes fecham.
Para fotografar o templo de Apolo, planeie chegar 30 a 40 minutos antes do pôr do sol: na «hora dourada», a cor do mármore muda a cada minuto. O melhor ponto é a partir do cais da Praia Oriental.
A entrada na cidade velha é gratuita, mas o teatro e o museu são pagos. O cartão de museus da Turquia (Müzekart) é válido aqui. Se planeia visitar vários locais antigos, o cartão compensa rapidamente.
Esteja preparado para o facto de que em Side há muitas lojas de souvenirs e cafés voltados para turistas. Os preços podem ser inflacionados, especialmente na orla. Os melhores restaurantes ficam nas ruelas laterais, não na rua principal. Experimente o peixe grelhado local e o sorvete de romã — em homenagem ao símbolo da cidade.
Se gosta de fotografia, visite o templo de Apolo duas vezes — ao pôr-do-sol e antes do amanhecer. Ao pôr-do-sol, terá companhia e uma multidão de turistas, e antes do amanhecer — apenas um ou dois pescadores no cais e uma praia deserta. Antes do amanhecer, a luz é mais suave e as colunas ganham tons frios e azulados, criando uma atmosfera completamente diferente.
Preste atenção à famosa Cascata de Manavgat, localizada a 8 km de Side, rio acima. Esta é uma das paragens adicionais mais populares da região. A cascata não é alta, mas é larga e muito pitoresca, com uma zona de passeio e restaurantes à beira do rio. É fácil combinar uma visita a Side com a cascata numa meia-tarde, especialmente para famílias com crianças.
No caminho de volta, passe pelo Museu de Side — a visita demora apenas 45 minutos, mas proporciona uma compreensão totalmente diferente da cidade antiga. É aqui que poderá ver como eram as estátuas que outrora se erguiam nos templos e na ágora. A antiga Side merece pelo menos um dia tranquilo e, se tiver sorte com o tempo, tornar-se-á a memória mais acolhedora da Turquia.