Castelo de Çeşme (Çeşme Castle) — uma cidadela otomana à beira do Mar Egeu
O Castelo de Çeşme (Çeşme Castle, Çeşme Kalesi) — principal atração histórica da cidade turística com o mesmo nome, no oeste da província de Izmir (İzmir Province). Esta fortaleza otomana do século XVI ergue-se junto à orla marítima, a poucos metros do mar, e integra-se na perfeição na pitoresca paisagem costeira com casas brancas e veleiros. Hoje, dentro das muralhas do castelo, encontra-se o Museu Arqueológico de Çeşme, e a própria fortaleza continua a ser um dos símbolos de toda a península de Çeşme e palco de um festival internacional de música e dança.
História e origem
A cidade de Çeşme (do persa/turco çeşme — «fonte, manancial») surgiu no local do antigo porto de Cyssus, mencionado ainda por Heródoto. Na Idade Média, a costa esteve sob o controlo de Bizâncio e, posteriormente, de Génova; do período genovês, conservam-se em Çeşme alguns elementos isolados, agora integrados na alvenaria posterior da fortaleza otomana.
O próprio castelo foi construído em 1508 por decreto do sultão Bayezid II, sob a direção do arquiteto do sultão. A construção decorreu num contexto de crescente ameaça por parte da República de Veneza e da Liga Santa: os otomanos procuravam reforçar a costa do Mar Egeu e garantir a segurança das rotas comerciais. O castelo de Çeşme tornou-se um dos elos da cadeia de fortalezas costeiras, juntamente com os castelos de Bodrum, Karaburun e Sığacık.
Batalha de Çeşme
A fortaleza testemunhou um dos episódios mais dramáticos da história do Mediterrâneo Oriental — a batalha naval de Çeşme, de 5 a 7 de julho de 1770. A Frota do Báltico russa, sob o comando do conde Alexei Orlov e do almirante Grigori Spiridov, incluindo o famoso contra-almirante britânico Samuel Greig, derrotou a frota otomana na baía de Çeşme. A esquadra turca, encurralada junto à costa, foi incendiada por navios incendiários; milhares de marinheiros e dezenas de navios pereceram nas chamas.
Esta batalha foi decisiva na Guerra Russo-Turca de 1768–1774 e levou à assinatura do Tratado de Kuchuk-Kainarji, com concessões à Rússia. Em memória da vitória, foram erguidos em São Petersburgo o Palácio de Chesma e a Igreja de Chesma, e o nome «Chesma» (variante russa) passou a fazer parte da glória militar russa.
Museu e restauração
No século XX, o castelo perdeu a sua importância militar e entrou gradualmente em decadência. Na década de 1980, restauradores turcos reconstruíram as muralhas e as torres, e em 1984 foi inaugurado no castelo o Museu Arqueológico de Çeşme. No interior, estão expostos achados provenientes das escavações das cidades de Eritra (Erythrai), Teo (Teos), Cissus (Cyssus) e de trabalhos arqueológicos subaquáticos nas baías da península.
Arquitetura e o que ver
O Castelo de Çeşme tem uma planta retangular irregular com seis torres angulares e intermédias. O comprimento das muralhas é de cerca de 200 metros ao longo do perímetro, com uma espessura de até 4 metros. A alvenaria é feita de calcário talhado, com a inclusão de pedras antigas e bizantinas reutilizadas. O castelo está aberto diariamente das 8 :30 às 18 :00 (de outubro a março até às 17 :00); a entrada é paga, o preço do bilhete ronda as 60–100 liras turcas.
Portão principal
O portão principal está localizado no lado norte e é decorado com uma placa de mármore com o tuğra do sultão Bayezid II e a data de construção. Em frente ao portão encontra-se um monumento em bronze ao almirante Hasan-paşa de Argel (Cezayirli Gazi Hasan Paşa) — um comandante otomano que sobreviveu à Batalha de Çeşme e que mais tarde se tornou grão-vizir.
Torres e muralhas
Das seis torres do castelo, a torre nordeste é particularmente interessante — daí abre-se uma vista panorâmica sobre a baía de Çeşme e a ilha grega de Quios (Chios), a 12 quilómetros da costa. As muralhas conservam parapeitos com ameias e canhoneiras para canhões e mosquetes; em vários locais, podem ver-se vestígios de canhões otomanos dos séculos XVI a XVIII.
Museu Arqueológico
A exposição do museu ocupa várias salas, situadas nos quartéis dentro das muralhas. A primeira sala é dedicada à Idade do Bronze e inclui achados das escavações de Limantepe e Bağlararası — os mais antigos povoados da costa do Mar Egeu. A segunda sala apresenta achados antigos de Eritreia e Kissa: estátuas de mármore, cerâmica, moedas e fragmentos de inscrições. A terceira sala é dedicada ao período bizantino, com ícones, ânforas e cruzes. De particular interesse é a coleção de artefactos subaquáticos: ânforas, âncoras e fragmentos de navios antigos, recuperados do fundo da baía.
Pátio interior
No pátio interior encontra-se um pequeno jardim com canteiros de flores e bancos de pedra. Aqui também se encontram vários sarcófagos de mármore e colunas, reutilizados na construção do castelo. Chama especial atenção um antigo canhão otomano com o brasão do sultão Solimão I — está instalado em frente à parede norte e apontado «na direção do inimigo» — ou seja, para Quios.
Caravançarai nas proximidades
A poucas dezenas de metros do castelo encontra-se o caravançarai de Kanuni Solimão (Kanuni Sultan Süleyman Kervansarayı), construído no século XVI. Hoje em dia, é um hotel boutique, mas qualquer pessoa pode entrar no pátio interior e admirar a majestosa arcada e a fonte. O caravançarai e o castelo formam um conjunto histórico na orla de Çeşme.
Factos interessantes e lendas
- A Batalha de Çeşme, em 1770, entrou nos manuais de história naval como o primeiro caso de utilização massiva de navios incendiários na era da frota à vela.
- Numa das torres do castelo encontra-se uma réplica exata da bandeira do almirante russo Spiridov, doada ao museu em 2010.
- Na década de 1830, o castelo serviu de quartel para um destacamento do exército otomano que guardava a península contra piratas e rebeldes gregos.
- Entre os achados do museu arqueológico encontra-se uma coleção rara de joias de ouro da época helenística, encontradas numa tumba na aldeia vizinha de Şifne.
- O Castelo de Çeşme aparece na literatura e no cinema turcos contemporâneos como símbolo de uma «época congelada» — foi aqui que foi filmada a série «Beija-me, não digas «adeus»» (Beni Affet).
- Todos os anos, em agosto, o castelo acolhe o Festival Internacional da Canção Çeşme — uma tradição com mais de 50 anos.
- Nas paredes do castelo podem ser encontradas inscrições riscadas dos séculos XVIII–XIX em grego e italiano — deixadas por marinheiros e comerciantes prisioneiros.
Como chegar
O Castelo de Çeşme fica no centro da cidade de Çeşme, na orla junto ao cais, onde atracam os ferries para a ilha grega de Chios. Do Aeroporto Internacional Adnan Menderes (İzmir) até Çeşme são cerca de 100 quilómetros — 1 hora e 15 minutos pela autoestrada O-32. Do centro de Izmir, a viagem demora cerca de 1 hora pela mesma via.
Sem carro, a forma mais conveniente é de autocarro: a partir da estação rodoviária İzmir Otogar, há serviços regulares das empresas Çeşme Seyahat e Pamukkale a cada 30–45 minutos. A partir do aeroporto de Izmir, há um serviço de shuttle Havaş para a estação rodoviária de Çeşme. Os amantes de viagens marítimas podem chegar de ferry a partir da ilha de Chios — o ferry atraca a 200 metros do castelo. O estacionamento junto à fortaleza é pago e fica rapidamente lotado na época alta.
Dicas para o viajante
A melhor altura para visitar é entre abril e junho e entre setembro e novembro. No verão, faz calor em Çeşme (até +35 °C), mas é precisamente nesta época que se realiza o festival e que o ambiente na orla marítima é mais animado. No inverno, o castelo e o museu estão abertos, mas muitos hotéis e cafés nas proximidades fecham durante a época baixa.
Reserve 1,5 a 2 horas para visitar o castelo e o museu. Leve água, um chapéu e calçado confortável — os degraus de pedra e os parapeitos podem ser escorregadios. É permitido fotografar no museu sem flash. É conveniente para crianças: no interior há locais com sombra e zonas de recreação, e das torres pode mostrar à criança o «mar de Orlov».
Combine a visita ao castelo com um passeio pela cidade velha de Çeşme, a visita ao caravansarai, uma ida à península de Alaçatı com o seu windsurf e adegas, bem como às praias de Ilıca e Çiftlikköy. Imperdível na gastronomia: o kumru local de Çeşme (sanduíche com salsicha, queijo e tomate) e o gelado de mastique (sakızlı dondurma) com pedaços de resina da árvore de mastique de Chios. O Castelo de Çeşme (Çeşme Castle) é o ponto de partida ideal para conhecer um dos recantos mais bonitos da costa do Mar Egeu na Turquia.