Montanhas Akdoğan (Akdoğan Dağları) — guia naturalista

Montanhas Akdoğan: um mundo vulcânico e uma centena de lagos na fronteira entre Muş e Erzurum

As Montanhas Akdoğan (em turco Akdoğan Dağları, por vezes Hamurpert Dağları, em curdo Çiyayên Xamirpêtê, em arménio Hamur ou Hamurpert) são um dos locais naturais menos conhecidos da Anatólia Oriental e, ao mesmo tempo, um dos mais invulgares. Estas montanhas vulcânicas, de baixa altitude mas densamente «agrupadas», situam-se exatamente no ponto zero da fronteira entre as províncias de Mush e Erzurum e estendem-se numa faixa estreita com apenas 30 quilómetros de comprimento e 10 de largura. Nesse pequeno trecho, as Montanhas Akdoğan abrigam mais de uma centena de pequenos lagos, o lago de cratera Akdoğan-Gölü, os pântanos de aves mais importantes da região, bosques de carvalhos, clareiras de peônias turcas e bandos de perdizes — em suma, uma verdadeira reserva alpina em miniatura, ainda praticamente desconhecida dos turistas.

História e origem das Montanhas Akdoğan

Ao contrário das cidades antigas ou das fortalezas medievais, o maciço montanhoso não tem uma «data de fundação» — existe apenas uma profunda história geológica, na qual as crónicas humanas ocupam apenas o último parágrafo. As Montanhas Akdoğan pertencem ao jovem cinturão vulcânico da Anatólia Oriental, e quase todo o seu relevo se formou em resultado de erupções vulcânicas: foi precisamente após estas que as rochas expelidas arrefeceram nas crateras, enchendo-se gradualmente de água da chuva e de degelo e transformando-se nos mesmos lagos de cratera que hoje constituem a principal atração do maciço.

Geomorfológicamente, as Montanhas Akdoğan apresentam-se como uma massa montanhosa independente, encravada entre a planície de Hınıs, a sul, e o rio Murat — o maior afluente esquerdo do Eufrates — a norte. A maior parte das encostas é constituída por rochas vulcânicas, mas em alguns setores afloram camadas de calcário; é esta mistura que cria uma hidrologia tão peculiar — numa mesma montanha coexistem lagos de cratera de origem vulcânica e pequenas bacias cársticas, alimentadas por nascentes subterrâneas.

Administrativamente, o macício pertence simultaneamente a duas províncias — Muş e Erzurum — e a três distritos, cujas fronteiras se cruzam diretamente nas montanhas: Varto, Bulanyk e Hınıs a oeste, e Karachoban a leste. A extremidade oriental do maciço chega até ao distrito de Karaçoban, a ocidental — até às margens do lago Akdoğan-gölü. Esta natureza fronteiriça explica, em parte, por que razão poucos conhecem as Montanhas Akdoğan fora da região: nenhuma das províncias as considera como a sua principal atração natural, e o maciço permanece na sombra de locais mais conhecidos como Nemrut, Süphan ou Tendürek.

Não menos interessante é a história linguística destas montanhas. Para a população local, elas têm nomes diferentes: o turco Akdoğan Dağları («montanhas do Falcão Branco») ou Hamurpert Dağları, o curdo Çiyayên Xamirpêtê, o arménio Hamur ou Hamurpert — e em cada nome ouve-se a influência da cultura correspondente, que viveu durante séculos no seu sopé. Vários nomes para o mesmo local — a melhor lembrança de quão multifacetada foi e continua a ser a história da Anatólia Oriental.

Arquitetura e o que ver

O principal motivo pelo qual vale a pena visitar as Montanhas Akdoğan não é um pico específico nem uma rota específica, mas sim a própria paisagem: uma ampla cordilheira com 30 quilómetros de comprimento e 10 de largura, onde a paisagem muda literalmente a cada cem metros. Num minuto, prados com guarda-chuvas de ferula e flechas de eremurus; noutro, bosques de carvalhos escuros; e, mais um minuto depois, abre-se o espelho azul de um lago de cratera, nas margens do qual se encontram garças imóveis. Esta é uma das áreas naturais mais bem preservadas da província de Muş e um dos principais locais da Anatólia Oriental para quem sabe interpretar a paisagem.

Lagos de cratera e zonas húmidas

A joia do maciço — Akdoğan-Gölü, um dos lagos mais altos e bem preservados da Turquia. Além dele, no maciço existem mais de cem lagos pequenos e pouco profundos; a maior parte deles concentra-se em torno das aldeias de Hınıs, a norte do pico sem nome de 2879 metros. Estes lagos constituem uma das zonas húmidas mais importantes da região para aves migratórias e nidificantes — para os observadores de aves, há aqui trabalho para muitos dias seguidos. Os lagos de cratera de Akdogan surgiram como consequência direta de erupções vulcânicas: as cavidades deixadas após o arrefecimento da lava encheram-se de água e, com o tempo, adquiriram as suas características formas arredondadas. A parte norte do maciço é especialmente pitoresca, onde dezenas de pequenos lagos estão espalhados entre as colinas, literalmente à vista uns dos outros — percorrer tudo isto a pé num único dia é irreal, sendo melhor escolher um lago de referência e trabalhar em torno dele com saídas radiais.

Os picos de Göztepe, Hızırbaba e vista para Süphan

Os picos principais do maciço são o Göztepe e o Hızırbaba; eles estão entre os mais altos da província de Muş e, ao mesmo tempo, servem como mirantes ideais. A partir delas, em dias de céu limpo, avista-se claramente, ao longe a sudeste, o cone do Süphan — um pico de quatro mil metros, o segundo vulcão mais alto da Turquia. Paradoxo: mesmo das partes mais baixas da região, o Süphan é perfeitamente visível, e todo o maciço de Akdoğan parece viver na sua presença constante — tal como a cordilheira dos Urais vive à vista da distante Narodnaya.

Florestas, prados e a peônia turca

A flora das Montanhas Akdoğan é uma pequena enciclopédia à parte. Esta é uma das poucas áreas da província de Muş com florestas relativamente «organizadas»: bosques de carvalhos intercalam-se com grupos de Crataegus monogyna (espinheiro-alvar), Malus sylvestris (macieira silvestre), Pyrus elaeagrifolia, Prunus mahaleb (ameixa-de-Mahaleb), roseira-brava, Aria edulis e Cotoneaster nummularius. Nos prados, no início do verão, florescem Eremurus spectabilis (eremuro), Paeonia turcica (peônia turca), Astragalus kurdicus, Gundelia, azedinha, chicória, tomilho e Eryngium billardieri. Uma particularidade são as duas espécies de ferula, uma venenosa e outra não venenosa, e os cogumelos Pleurotus eryngii var. ferulae, que crescem nos seus rizomas literalmente em todos os recantos das montanhas. Este cogumelo ferula é considerado um dos melhores cogumelos silvestres da região.

Fauna: ursos, linces e jerboas

A lista de fauna também é impressionante: nas encostas das Montanhas Akdogan vivem o urso pardo, o lobo, a raposa, o javali, a perdiz, o lince, o pato, a tartaruga, a jerboa de Williams (Williams's jerboa), a tartaruga do Cáspio e o lagarto verde europeu. Para os observadores experientes da vida selvagem, esta é uma oportunidade rara de ver a jerboa e o lince da Anatólia praticamente no mesmo percurso; para o viajante ocasional — um motivo para ter cuidado com os ursos, que, perto de agosto, descem até às margens húmidas dos lagos em busca de bagas.

Factos interessantes e lendas

  • As montanhas Akdoğan têm quatro nomes: o turco Akdoğan Dağları («montanhas do Falcão Branco»), o segundo turco Hamurpert Dağları, o curdo Çiyayên Xamirpêtê e o arménio Hamur (Hamurpert). Este é um caso raro em que diferentes povos conservaram na toponímia o mesmo objeto com nomes completamente diferentes, e cada um deles continua vivo na memória da população local até aos dias de hoje.
  • Numa cordilheira com apenas 30 quilómetros de comprimento e 10 de largura, cabem mais de cem lagos pequenos e pouco profundos — uma densidade comparável à dos planaltos lacustres finlandeses. A maioria deles surgiu de erupções vulcânicas: as crateras, que restaram após o arrefecimento da lava, encheram-se de água da chuva e de degelo e transformaram-se em lagos de cratera, sendo que o principal deles leva o nome da própria cordilheira — Akdogan-Golu.
  • Nos rizomas da ferula cresce aqui uma subespécie especial de cogumelo-de-orelha — Pleurotus eryngii var. ferulae, que se encontra literalmente em todas as partes das montanhas. Na culinária mundial, este cogumelo é considerado uma iguaria requintada e valorizado a par dos cogumelos brancos, mas na Anatólia Oriental ainda hoje é colhido para consumo doméstico e não para comercialização.
  • Entre os habitantes das Montanhas Akdoğan existe um animal com um «nome» muito raro — a jerboa de Williams (Williams's jerboa). A sua área de distribuição no território da Turquia é extremamente limitada, e a Anatólia Oriental é um dos poucos locais onde os observadores têm a oportunidade de a avistar na natureza.
  • Mesmo a partir do vale mais baixo do maciço, avista-se o cone distante do Süphan — o segundo vulcão mais alto da Turquia (cerca de 4058 m). Esta característica visual tornou-o um ponto de referência natural para viajantes e pastores de todas as épocas — desde os hititas até aos nómadas yuruks contemporâneos, que passam aqui os meses de verão com os seus rebanhos.

Como chegar

As montanhas Akdoğan situam-se na junção das províncias de Muş e Erzurum, bem no interior da Anatólia Oriental — este é um dos recantos da Turquia mais distantes de Istambul. A forma mais conveniente é voar para o aeroporto de Muş (Muş, código MSR) ou para Erzurum (Erzurum, código ERZ); de Istambul partem voos domésticos regulares para ambos os destinos, com uma duração de cerca de duas horas. De Muş até ao sopé da cordilheira, a viagem demora cerca de uma hora e meia a duas horas de carro ou de autocarro, passando por Bulanyk e Hınıs; a partir de Erzurum, o percurso é um pouco mais longo e passa por Karayazı e Karachoban.

Sem transporte próprio, é complicado: os transportes públicos só chegam aos centros distritais de Varto, Bulanyk, Hynis e Karachoban, e a partir daí, até às trilhas e às margens do lago Akdogan-Golu, é preciso apanhar um táxi ou pedir boleia. A maioria dos turistas aluga um veículo todo-o-terreno no aeroporto: as estradas na região são predominantemente de terra batida e, quando chove, nem todos os automóveis de passageiros conseguem circular nelas. Em caso de nevoeiro ou de uma tempestade repentina, vale a pena ter consigo um mapa em papel — a rede móvel nas montanhas é instável.

Dicas para o viajante

A melhor altura para a viagem é o final da primavera e o início do verão (final de maio — junho), quando a neve já derreteu na maior parte, mas os prados alpinos ainda estão em plena floração: a peônia turca e o eremurus estão em flor, e as hastes da ferula começam a erguer-se. A segunda época favorável é setembro e a primeira quinzena de outubro, quando os bosques de carvalhos se tingem de tons acobreados e o ar ainda está seco e calmo. No inverno, a cordilheira fica completamente coberta de neve e, sem preparação, é melhor não ir até lá; no verão, especialmente em julho e agosto, os dias são quentes, mas as noites em altitude já são frescas — são necessárias roupas quentes.

O que levar. Calçado confortável para caminhadas — há muitos trechos em solo vulcânico solto e margens pantanosas dos lagos; repelente de insetos e protetor solar; reserva de água, porque nos lagos de altitude a água é limpa, mas é melhor não beber sem filtrar; binóculos para observação de aves e da panorâmica distante de Süphan; teleobjetiva, se estiver interessado em animais selvagens. Tenda e saco-cama, se estiver a planear pernoitar — não há os habituais refúgios de montanha na região, e a maioria dos caminhantes acampa junto à água.

O que combinar com esta viagem. Os vizinhos naturais do percurso são o Nemrut-Gölü (lago de cratera na caldeira do vulcão Nemrut, perto de Tatvan), o maciço de Süpahan, o lago Van com as suas igrejas arménias históricas nas ilhas e a própria cidade de Muş, com as suas antigas mesquitas e fortaleza. Para observadores de aves e botânicos, esta é uma oportunidade rara de ver a natureza da Anatólia Oriental no seu estado original, sem turismo em grande escala. As montanhas de Akdoğan são o local ideal para quem procura silêncio, céu limpo e aquela sensação de «fim do mundo» que já não é possível encontrar nos recantos mais turísticos da Turquia.

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Perguntas frequentes — Montanhas Akdoğan (Akdoğan Dağları) — guia naturalista Respostas às perguntas mais frequentes sobre o Montanhas Akdoğan (Akdoğan Dağları) — guia naturalista. Informações sobre o funcionamento, as possibilidades e a utilização do serviço.
As Montanhas Akdoğan (Akdoğan Dağları) são um compacto macício vulcânico na fronteira entre as províncias de Muş e Erzurum, com apenas 30 quilómetros de comprimento e 10 de largura. A principal característica é a densidade invulgarmente elevada de lagos de cratera e cársticos: num espaço tão pequeno, contam-se mais de cem. Este é um dos recantos naturais mais intocados pelo turismo da região, praticamente sem infraestruturas turísticas e sem fluxo massivo de visitantes.
A maioria dos lagos das Montanhas Akdoğan surgiu como consequência direta de erupções vulcânicas: as depressões que ficaram após o arrefecimento da lava foram-se enchendo gradualmente com água da chuva e da neve derretida, assumindo as formas arredondadas dos lagos de cratera. Parte dos lagos é de origem cárstica: nos locais onde as camadas de calcário rompem as rochas vulcânicas, formam-se pequenas bacias alimentadas por nascentes subterrâneas. O principal dos lagos — o Akdoğan-Gölü — é considerado um dos mais altos e bem preservados da Turquia.
A fauna da região é rica: aqui vivem o urso-pardo, o lobo, a raposa, o javali, o lince, a perdiz, o pato, a tartaruga do Cáspio, o lagarto-verde-europeu e a rara jerboa de Williams (Williams's jerboa). Perto de agosto, os ursos descem até às margens dos lagos em busca de bagas, pelo que é necessário ter cuidado durante este período. Para os observadores da vida selvagem, a cordilheira oferece a oportunidade rara de avistar o lince da Anatólia e o jerboa praticamente no mesmo percurso.
Ao longo dos séculos, as montanhas de Akdoğan estiveram rodeadas por diferentes povos, cada um dos quais deixou o seu nome: o nome turco Akdoğan Dağları significa «montanhas do Falcão Branco», e existe também um segundo nome turco — Hamurpert Dağları. O nome curdo é Çiyayên Xamirpêtê, o arménio — Hamur ou Hamurpert. A multiplicidade de nomes deste local reflete a história étnica e cultural multifacetada da Anatólia Oriental, onde diferentes comunidades coexistiram simultaneamente no sopé das mesmas montanhas.
Sim, este é um dos melhores locais para a observação de aves na Anatólia Oriental. As numerosas zonas húmidas, os lagos de cratera e os bosques de carvalhos formam um importante corredor migratório e de nidificação. Nas margens dos lagos encontram-se garças, patos e perdizes; na época da migração, a diversidade de espécies aumenta drasticamente. Os observadores de aves experientes podem passar aqui vários dias seguidos sem esgotar as possibilidades da região.
A flora da região inclui a peônia turca (Paeonia turcica), o eremúro (Eremurus spectabilis), duas espécies de ferula, bosques de carvalhos, espinheiro-alvar, macieira silvestre, ameixa-de-Mahaleb (Prunus mahaleb) e rosa-mosqueta. Nos rizomas da ferula cresce uma subespécie especial de cogumelo — Pleurotus eryngii var. ferulae, considerada uma iguaria de renome mundial. No final de maio — junho, os prados alpinos do macro-massivo encontram-se em plena floração, o que torna este período o melhor para observações botânicas.
Aqui praticamente não existe a infraestrutura turística habitual — refúgios de montanha, parques de campismo equipados, cafés junto aos trilhos. A maioria dos turistas monta a sua própria tenda nas margens dos lagos. Para uma viagem deste tipo, é necessário levar tudo o que for necessário: tenda, saco-cama, água e comida em quantidade suficiente. Não é recomendável beber água dos lagos de alta montanha sem a filtrar.
Göztepe e Hızırbaba são os picos mais altos do macício, figurando entre os pontos mais elevados da província de Muş. Em dias de céu limpo, é possível avistar claramente o cone do Süphan — o segundo vulcão mais alto da Turquia (cerca de 4058 m), situado a sudeste. Os picos funcionam como miradouros naturais sobre todo o sistema de lagos de cratera do maciço e sobre o vale do rio Murat, a norte.
As montanhas de Akdoğan não são um destino de alpinismo técnico, mas também não se pode dizer que sejam um passeio fácil. O solo nas encostas é vulcânico e solto, e as margens dos lagos são frequentemente pantanosas. A rede móvel nas montanhas é instável e o tempo pode mudar rapidamente. Recomenda-se ter experiência básica em caminhadas, calçado resistente, um mapa em papel da região e uma reserva de água. Devido à presença de ursos, especialmente em julho e agosto, é aconselhável fazer barulho na trilha e não deixar comida sem vigilância.
Num raio do percurso acessível, encontram-se vários locais de destaque da Anatólia Oriental: o lago de cratera Nemrut-Gölü, na caldeira do vulcão Nemrut, perto de Tatvan; o macício vulcânico Süphan; o lago Van, com as suas igrejas arménias nas ilhas; bem como a cidade de Muş, com as suas antigas mesquitas e fortaleza. É conveniente incluir as montanhas Akdoğan num itinerário alargado pela Anatólia Oriental, combinando locais de interesse natural e histórico-cultural.
As razões são várias. Geograficamente, o macício situa-se na fronteira entre duas províncias — Mush e Erzurum — e nenhuma delas o considera como o seu principal cartão de visita natural. Consequentemente, as montanhas ficam ofuscadas pelas mais conhecidas Nemrut, Süpihan e Tendürek. Acrescente a isto a falta de infraestruturas turísticas, a logística complexa sem transporte próprio e o afastamento das grandes cidades — e terá a receita para um local verdadeiramente pouco turístico.
Manual do usuário — Montanhas Akdoğan (Akdoğan Dağları) — guia naturalista Manual do usuário do Montanhas Akdoğan (Akdoğan Dağları) — guia naturalista com descrição das principais funções, recursos e princípios de uso.
Os períodos ideais são o final de maio a junho, quando a neve já derreteu e os prados alpinos estão em flor (florescem a peônia turca, o eremurus e a ferula), e setembro até à primeira quinzena de outubro, quando os bosques de carvalhos se tingem de tons outonais e o tempo permanece seco. No inverno, a cordilheira é intransitável sem preparação especial. Em julho e agosto, os dias são quentes, as noites frescas, e os ursos descem com mais frequência até aos lagos — é necessário ter um cuidado redobrado.
Os aeroportos mais próximos com voos regulares a partir de Istambul são Muş (código MSR) e Erzurum (código ERZ), com uma duração de voo de cerca de duas horas. Muş é mais conveniente: daí até ao sopé da cordilheira são uma hora e meia a duas horas de viagem, passando por Bulanyk e Hynis. A partir de Erzurum, o percurso é mais longo — passando por Karayazy e Karachoban. Pode-se ficar em Muş ou no centro regional de Bulanyk.
Os transportes públicos chegam apenas aos centros distritais de Varto, Bulanyk, Hynis e Karachoban. A partir daí, só é possível deslocar-se de táxi, boleia ou carro próprio. A maioria dos turistas aluga um veículo todo-o-terreno diretamente no aeroporto: as estradas no interior do maciço são predominantemente de terra batida e, quando chove, tornam-se intransitáveis para um automóvel normal. Verifique o estado das estradas antes de partir junto dos habitantes locais ou na agência de aluguer.
Leve calçado de caminhada com proteção contra a sujidade (solo vulcânico e margens pantanosas dos lagos), repelente, protetor solar, água para reserva (nos lagos de montanha, a água não filtrada não é potável), binóculos para observar aves e apreciar as vistas panorâmicas, um mapa em papel da região (a rede móvel é instável). Se pretender pernoitar — leve uma tenda e um saco-cama: não há refúgios de montanha nesta zona. É necessário levar roupa quente em qualquer época do ano — à noite, em altitude, faz frio mesmo no verão.
Mais de cem lagos do macício concentram-se principalmente na parte norte, em torno das aldeias de Hınıs. Não é possível percorrê-los todos num só dia — escolha um lago de referência (por exemplo, Akdoğan-Gölü) e trace a partir daí percursos radiais curtos. Desta forma, é possível visitar vários lagos, subir até aos miradouros de Göztepe ou Hyzyrbaba e regressar ao acampamento antes de escurecer.
Faça barulho na trilha — isso diminui o risco de um encontro inesperado com um urso. Guarde os alimentos em recipientes fechados, longe da tenda. Para observar aves, o melhor horário é de manhã cedo, nas margens dos lagos. Se quiser ver o jerboa-de-Williams, saia ao anoitecer ou ao amanhecer para áreas secas e abertas. É obrigatório levar uma teleobjetiva ou binóculos: os animais selvagens não se deixam aproximar.
As montanhas de Akdoğan combinam bem com outros pontos de interesse da região. Depois de visitar o macício, faz todo o sentido fazer uma paragem no lago de Van (igrejas arménias na ilha de Akhtamar), visitar o lago de cratera Nemrut-Göl, perto de Tatvan, ou subir às encostas do Süphan. A própria cidade de Muş oferece mesquitas antigas e uma fortaleza. Este itinerário permite apreciar a natureza vulcânica, o património histórico-cultural e a natureza selvagem única da Anatólia Oriental numa única viagem.