Magazberd: fortaleza arménia no lado turco do rio Araks
A 6 quilómetros a sudoeste da grande Ani, na margem direita do rio Arpaçay (antigo Akhurian), ergue-se a fortaleza pouco conhecida, mas de grande importância histórica, de Magazberd (Maghasberd). Trata-se de uma fortaleza fronteiriça, construída sobre rochas de tufo durante o apogeu da Arménia Bagratida e que mais tarde passou para as mãos dos seljúcidas, dos georgianos, dos Hatunogular e, finalmente, dos otomanos. Hoje, Magazberd é uma zona militar fechada na própria fronteira com a Arménia moderna, e é praticamente impossível entrar no seu território. Mas mesmo à distância causa uma forte impressão.
História da fortaleza
As possíveis origens da fortificação nesta rocha remontam ainda ao século VI, mas a estrutura preservada pertence, na sua maior parte, à época do reino bagratida da Arménia (885–1045). A importância estratégica da fortaleza aumentou drasticamente depois de Ani se ter tornado, em 961, a capital do Reino da Arménia: Magazberd protegia as suas aproximações a sudoeste e controlava a travessia do desfiladeiro de Arpachay.
Após a queda dos Bagratidas, a fortaleza passou de mãos em mãos entre os seljúcidas, o Reino da Geórgia e a dinastia turca dos Hatunogullars. Em 1579, Magazberd foi conquistada pelo Império Otomano e reconstruída. A inscrição no portão norte atesta isso: a reconstrução foi levada a cabo durante o reinado do sultão Murad III. A guarnição otomana manteve a fortaleza até meados do século XIX, após o que esta foi abandonada e caiu em ruína.
A atividade arqueológica contemporânea teve início em 2004–2005: as investigações revelaram os vestígios da «Velha Magazberd» — um bairro urbano inteiro a cerca de 100 metros acima do rio, com muralha, torres cilíndricas, retangulares e em forma de ferradura, e ruínas de igrejas. Isto permitiu supor que a fortaleza rodeava não apenas uma zona de guarnição, mas uma cidade fortificada de pleno direito.
Arquitetura e o que ver
Muralhas e três grandes torres
A construção é feita de tufo — uma rocha vulcânica clara característica da região, quente ao sol e resistente à erosão. A base da fortificação é constituída por três grandes torres, que sobreviveram em grande parte até aos dias de hoje. As cortinas entre elas estão parcialmente destruídas, mas o contorno é bem visível.
Inscrição otomana no portão norte
Na entrada norte conserva-se uma inscrição de 1579, que regista a restauração realizada durante o reinado do sultão Murad III. Trata-se de um caso raro em que a epigrafia otomana está claramente integrada numa estrutura arménia anterior.
Construções interiores
Dentro do perímetro da fortaleza distinguem-se vestígios de casas de habitação em pedra, várias capelas, um palácio, banhos e uma grande cisterna quadrada. Este conjunto confirma que Magazberd funcionava não só como posto militar, mas também como um pequeno centro principesco.
Magazberd Antigo
Descoberto em meados da década de 2000, o «Old Magazberd» é um bairro fortificado independente situado num terraço rochoso. As suas muralhas apresentam torres de vários tipos (cilíndricas, retangulares, em forma de ferradura), e foram encontrados vestígios de igrejas na alvenaria. Este é um exemplo raro de uma cidade fronteiriça arménia dos séculos X–XI no território da Turquia moderna.
Factos interessantes
- Magazberd situa-se efetivamente na linha da fronteira com a República da Arménia e faz parte da primeira zona fronteiriça: o acesso turístico às próprias ruínas está fechado.
- O seu estado de conservação revelou-se melhor do que o de algumas construções da própria Ani: as torres de tufo de Magazberd permanecem praticamente intactas até hoje.
- A fortaleza sobreviveu aos reinados dos Bagratidas, dos seljúcidas, dos georgianos, dos Hatunogullars e dos otomanos — uma combinação rara para um único monumento.
- A descoberta da «Velha Magazberd» na década de 2000 alterou a perceção da fortaleza: verificou-se que se tratava de uma pequena cidade fortificada e não de um forte isolado.
- A aldeia mais próxima das ruínas é a aldeia curda de Üçbölük; é ela que serve de referência nos mapas topográficos.
Como chegar
A fortaleza situa-se na província de Kars, perto da aldeia de Üçbölük, a sudoeste das ruínas de Ani. Coordenadas: 40°28′31″ N, 43°32′30″ E. A cidade grande mais próxima é Kars (cerca de 50 km), o aeroporto mais próximo é Kars Harakani (KSY).
Normalmente, não é possível chegar de carro até às ruínas: toda a faixa adjacente ao longo do Arpachay faz parte de uma zona militar fechada junto à fronteira com a Arménia. As autorizações de visita requerem um processo de obtenção específico e raramente são concedidas a turistas. Na prática, a maioria dos viajantes limita-se a contemplar Magazberd a partir de pontos distantes da estrada entre Ani e Üçbölük ou a partir do próprio planalto de Ani, através do desfiladeiro.
Conselhos para o viajante
O principal conselho é avaliar as expectativas de forma realista. Entrar na própria fortaleza será quase certamente impossível: trata-se de uma zona fronteiriça e qualquer tentativa de se aproximar sem autorização pode resultar em problemas com as forças armadas. Leve consigo binóculos ou uma lente teleobjetiva — e encare Magazberd como parte da paisagem de Ani, o seu «posto avançado mais distante».
A melhor época é o final da primavera e o início do outono. No inverno, o planalto abaixo de Ani é varrido por ventos gelados, com temperaturas a descerem significativamente abaixo de zero; no verão, os dias podem ser quentes, mas as noites são frescas. O outono proporciona a melhor luz sobre o tufo e o desfiladeiro de Arpachai.
Não fotografe instalações militares, antenas nem guardas de fronteira. Se o seu objetivo é compreender o contexto de Magazberd, combine obrigatoriamente a visita com um passeio pelas próprias ruínas de Ani: só assim se obtém uma visão completa da capital arménia e do seu cinturão defensivo.
A partir de Kars, é conveniente planear um itinerário de um dia: Kars Kalesi (fortaleza da cidade e catedral) pela manhã, Ani após o almoço e, pelo caminho, uma paragem panorâmica em direção a Magazberd. Um dia assim requer um carro: praticamente não há transportes públicos nesta zona fronteiriça.